sexta-feira, 14 de setembro de 2007

E agora...


Concluída que está esta fase do trabalho, que me levou a passar mais uma semana por terras do Douro...



Onde deliciei a vista com a magnitude das paisagens e a barriguinha com as maravilhas da gastronomia...

Passei ainda por Vila Real, onde tive oportunidade de comer um Jaquinzinhos fritos deliciosos (daqueles muitooooo pequeninos que já não vemos por cá... por serem muito abaixo do tamanho permitido por lei... mas que são divinais), umas petinguinhas fritas que não lhes ficavam nada atrás, uma Alheira com Broa (de comer e chorar por mais), uma Vitela Entrouxada (ai! Deus!), e uma Tripas aos Molhos, recheadas de presunto, que me disseram ser o prato regional de Vila Real... como é que eu vou caber no biquini, não me dizem???

Restaurantes de referência em Vila Real:
- Museu dos Presuntos (para os Jaquinzinhos e as petinguinhas)
- Terras de Montanha (para a Alheira e a Vitela)

As Tripas comi-as num restaurante-quase-tasquinha, de que não me lembro o nome, mas fica perto do quartel de infantaria... perguntem!



Disse adeus ao Douro e ao Norte e rumei à cidade, para fazer de novo as malas e amanhã....





FÉRIAS QUE LÁ VOU EU!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Sei Lá!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Saltando telhadinhos...



De volta à Terra Quente, mais uma vez em plena época de calor, o trabalho é muito e o tempo para outras coisas muito pouco…

Apanhei uma grande decepção porque esperava encontrar as vinhas em plena vindima e cheias de cor… naquela fase que, já vos disse, me inebria e me transporta, qual quadro saído da paleta de um pintor louco… onde os vermelhos-fogo se cruzam com os dourados, os castanhos, os amarelos e os verdes… misturado com a azáfama das vindimas… mas, este ano as vinhas estão atrasadas… ainda pintadas de verde, começando, aqui e além, a aparecer uns leves tons dourados… e vindimas… nem vê-las!

Disseram-me que, se não houver nenhuma intempérie, este será um ano de colheita de reservas especiais – por isso estejam atentos – uma vez que a uva fez uma maturação mais lenta e com muito sol e calor na fase final… veremos… ou antes, cá estaremos para comprovar a teoria.

Uma vez mais, o trabalho levou-me a percorrer estradas desconhecidas, a descobrir localidades e paisagens, a encher os olhos e a mente de imagens… das margens do Douro, às margens do Tua e do Sabor… de Carrazeda de Ansiães a Vila Flor e a Alfandega da Fé, de Torre de Moncorvo a Freixo de Espada à Cinta… dos vinhedos verdes aos olivais prateados, aos amendoais a dourar, dos vales profundos ao cimo das serras imensas, aos planaltos… apenas a dura realidade do trabalho me conseguiu fazer “aterrar”, caso contrário teria voado…

E a comida… ai senhores! Querem rebentar comigo! Restaurantes de referência: - Churrasqueira em Carrazeda de Ansiães – não se deixem enganar pelo nome, chama-se assim devido à enorme lareira onde assam, divinalmente, a carne mirandesa, a melhor Posta Mirandesa que comi, um belíssimo Entrecosto de Vitela, Costeleta de Vitela, Polvo à Lagareiro…
- Lagar, em Torre de Moncorvo – Polvo, Bacalhau e claro Vitela Mirandesa, de todas as formas e mais alguma
- Artur, em Carviçais (entre Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta)
- Eventos, em Alfandega da Fé – gerido pela Santa Casa da Misericórdia, visa criar postos de trabalho para uma população sem saídas…

Sabem que mais… é quase hora de jantar e estou a ficar cheia de fome!

Se forem à Churrasqueira, em Carrazeda, não deixem de provar o doce de bolacha, ou a mousse de iogurte com doce de cereja!!!! Eu vou agora!

Ainda por cá vou continuar até ao fim da semana… desta feita tenho de concluir o trabalhar, para a seguir ir gozar as minhas, à muito, merecidas férias!!!!! Claro, o biquini vai ficar apertado….


Sei Lá!

sábado, 8 de setembro de 2007

Desafios e... mais desafios

Mais uma vez… voltou uma onda de desafios à blogosfera… agora que eu me preparava para ir ver as ondas do Algarve… levei logo com 3 e sem sair da minha cadeira.

O White Fox desafiou-me para falar sobre 8 factos ou hábitos da minha vida… e o Poeta Vagabundo para falar sobre 7 factos casuais … como compreenderás, Poeta, os 8 dele incluem também os teus 7… hihihi… para complicar a coisa, a Aorta veio também desafiar-me com uma lista de 7 factos, mas subordinados a uma lista.

Vou, então, falar-vos um pouco de mim desta forma:





1 - Gosto de passear na praia, com os pés metidos na água, perdida nos meus pensamentos;


2 - Gosto de estar à lareira, a olhar as chamas crepitar;

3 - Gosto de ter a música por companhia, oiço-a o dia todo e à noite no computador;

4 - Adoro um banho de imersão demorado, ficar quase submersa a ouvir música, com o meu balão de whisky velho na mão (William Lawson 12 anos – de preferência);

5 - Gosto de boa comida e variada… aproveito sempre as minhas viagens para provar pratos regionais e experimentar novos restaurantes… e as minhas férias, são as chamadas “férias gastronómicas”;

6 - Sou um bocado como as panelas de pressão… hihihi… aguento bem a pressão, mas quando me “aquecem” demais “salta-me a tampa”;

7 - Sou muito reservada sobre os meus assuntos pessoais, raramente conto certas coisas, seja a quem for;

8 - Preciso de desafios – Não! Não é deste tipo de desafios! – Ciclicamente tenho de mudar de funções ou de alterar as metodologias de trabalho, de aprender novas coisas ou novas formas de as fazer; este ano decidi voltar a estudar, assim desafio-me a mim mesma!

**********************************



1º - Dia mais triste da minha vida: O dia em que percebi que me estava a enganar a mim própria.

2º - Dia mais feliz da minha vida: Cada um em que me sinto bem comigo e com o Mundo.

3º - Manias: Combinar o relógio com a restante roupa.

4º - Filme preferido: "Providence"

5º - Poeta preferido: Não tenho hábito de ler poesia, mas gosto muito de Florbela Espanca.

6º - Comida preferida: Ai tantas! Polvo, Bacalhau, Farinheira… ai! Sei Lá!

7º - Sou... Um coração de manteiga.

8º - Viagem de sonho: Uma ilha tropical

9º - Gosto de... Tudo o que me dá prazer.


Para não estar a “massacrar” muitos, passo ambos os desafios a:


Bekas (isto de ser novo por cá não te livra)
Brutal (ele sabe porquê)
Francisco del Mundo (toca a escrever menino)
Pedaços de Mim (para nos mostrar mais uns pedaços)
Vertigo (a ver se lhe passam as vertigens)

Como vou estar fora a semana toda, saltando telhadinhos, claro... e mesmo que me queiram espancar e apedrejar não estarei cá para que o façam... hihihi... deixo-vos, ainda, com o 3º episódio da resposta do Zénite ao desafio "A vez dele".

Assim não se podem queixar que não tiveram o que ler :P




Amores Virtuais

III

Vida em Comum



Sentaram-se a uma mesa do snack-bar. Eram maiores os silêncios dos lábios que os dos olhos e das mãos. As palavras, que não eram muito importantes naqueles momentos sublimes, podiam esperar. Já haviam trocado milhares delas nos e-mails.

Pedro avançou a mão sobre o tampo da mesa, até tocar os dedos de Leonor, que apertou ligeiramente, num afago. Leonor correspondeu, cingindo-lhe o polegar com o seu, e fixou-o nos olhos enquanto esboçava um sorriso cúmplice.

Pronunciou, com doçura, somente duas palavras: « Oh, Pedro!» «Vou amar-te para sempre, Leonor!» - disse ele. Saíram do snack de mãos dadas, e percorreram a exposição de fotografia com a alegria estampada nos rostos. De vez em quando, trocavam impressões sobre uma ou outra foto, mas estavam tão absortos na peculiaridade do encontro, que era mais o tempo em que se olhavam mutuamente e trocavam sorrisos de felicidade, que aqueles em que observavam as fotos, apesar de tanto as apreciarem.

Num recanto mais isolado, beijaram-se. Foi um beijo demorado, como querendo ambos saciar-se das sedes de lábios por que passaram nas longas madrugadas, frente à frieza dos monitores de vídeo carregados de promessas que se foram acumulando, sem cumprimento, ao longo dos meses. Ambos reconheciam que o beijo, mais do que uma expressão de amor, é uma expressão de vida. Sem beijos o corpo e a alma estiolam em solidão e acabam por morrer.

Chegaram à conclusão que era aquele o dia do encontro com a Vida, e que não o podiam deixar fugir. Pouco depois entravam no carro de Pedro, com destino ao Cabo Espichel. A tarde, luminosa e quente, apesar de se estar a meio de Março, era convidativa.

Percorreram a estrada que passa pelo cume da Serra da Arrábida, onde pararam para desfrutar o maravilhoso panorama que abrange o azul dos estuários do Tejo e do Sado, bem como grande parte das cidades de Lisboa e Setúbal, que alvejavam ao longe, e ainda toda a faixa costeira que se estende de Tróia a Sines.

Claro que pararam, mais para se beijarem, que para observar a paisagem. Mas também foi por isso. A tarde, ainda morna, abeirava-se das sete horas quando o carro entrou no terreiro rectangular, limitado a ocidente pela capela de Nossa Senhora do Cabo e flanqueado pelo casario que em tempos idos serviu de albergue aos romeiros que iam em peregrinação àquele pequeno santuário.

Embora situada num ermo, a igreja tinha a porta principal aberta naquela tarde. Como habitualmente, encontrava-se deserta.

Leonor e Pedro entraram. Apesar da penumbra que o cair da tarde ia instalando a pouco e pouco pelos recantos do templo, a luz que se coava através dos vitrais e das janelas superiores era ainda suficiente para lhes permitir apreciarem a traça majestosa de todo o interior. O altar-mor e os oito altares laterais, todos eles em estilo barroco, flamejavam em cores harmoniosas. O tecto da nave, bem como as paredes revestidas a mármore branco e preto da Arrábida, estavam cobertos de excelentes pinturas, também barrocas. A imagem de Nª Sª da Pedra da Mua (1) esplendia em seu nicho de mármore primorosamente trabalhado.

Respirava-se no santuário a quietude e a serenidade que só os ascetas experimentam em seus eremitérios. Leonor benzeu-se e ajoelhou-se no genuflexório. Murmurava, decerto, uma oração. Ou seria uma prece? Pedro, de pé, e com a ternura estampada no rosto, observava-a em silêncio.

Foi então que disse: «Vamos, Leonor, o Sol prepara-se para mergulhar nos reinos de Neptuno dentro de meia hora.» Leonor sorriu-lhe e deu-lhe a mão.

Dirigiram-se para as escarpadas falésias que bordejam o Cabo e sentaram-se num dos paredões ali colocados para dar alguma protecção aos visitantes daqueles lugares tão belos quanto inóspitos e perigosos.

O Sol, qual maçã de fogo colhida nos hespéricos jardins, franjava de mil cambiantes de cor e luz os céus do ocaso. Um rasto luminoso de ouro vermelho serpejava desde o Sol até à espuma que, alvacenta, dançava na base dos alcantilados rochedos. Ouviu-se o alegre trino dum rouxinol, enquanto uma gaivota silenciosa e branca sobrevoava o casal. A aragem galerna trazia consigo o aroma agridoce da maré, e segredava doces murmúrios aos ouvidos dos enamorados.

O Sol já desaparecera por detrás da misteriosa Atlântida, havia cerca de meia hora. Escurecia e arrefecia. Leonor sentiu um arrepio de frio. Lesto, Pedro correu ao carro e trouxe de lá o casaco de cabedal, que lhe colocou sobre os ombros.

Ela agradeceu e pousou a sua cabeça sobre os joelhos de Pedro, enquanto este lhe beijava amiúde ora lábios ora o rosto. Leonor correspondia aos beijos, quando, com voz de surpresa lhe disse: «Olha, Pedro, como está linda a Lua!»

A Lua, no seu plenilúnio, acabava de despontar sobre uma das torres da Igreja, cobrindo o pequeno promontório onde se encontravam com uma toalha de mel. Ou porque a Lua e o mel que derramava sobre a terra influenciaram Pedro, ou porque este já tinha a pergunta formulada na sua mente, o certo é que Leonor e o silêncio das rochas onde se sentavam ouviram as seguintes palavras, pronunciadas na voz quente e pausada de Pedro:

«Leonor, amo-te! Queres casar comigo?»

Decorreram breves segundos, que a Pedro pareceram horas, até que Leonor, na sua voz doce e maviosa, respondeu:

«Amo-te, Pedro! Não casarei, mas quero viver contigo. Se possível, para sempre! Aceitas?»

E, na paz soberana que o mel da Lua e a "Casa" da Senhora do Cabo derramavam sobre as cabeças dos dois namorados "virtuais", tendo por testemunhos a Terra firme e o fluido Atlântico, foi celebrado, com um beijo, um pacto de Amor e de Vida em Comum, porventura mais forte que os celebrados nas complicadas instituições dos homens.

(1)Andam envoltas em lendas poéticas as festas de Nossa Senhora do Cabo, cujo nome original, Nª Sª da Pedra da Mua, se deve a umas marcas que apareceram sobre o chão rochoso. Duas "testemunhas", dos tempos de D.Afonso III, diziam ser as marcas das patas da mula em que seguia Nossa Senhora, que eles "viram" montada na dita mula. Em 1970 descobriu-se que as marcas atribuídas à mula eram pegadas de dinossauros. O que inventa a Ciência para não deixar singrar uma lenda tão linda! Ao lado da Igreja está uma ermida muito pequena - talvez a área coberta não exceda uma dúzia de metros quadrados - , que terá sido construída no século XV.

Mas reais, reais, são os amores de Pedro e Leonor, que começaram por ser "virtuais", como vimos.


Sei Lá!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Responsabilidades, irresponsabilidades e decisões de vida...


Sabem que não é hábito meu falar aqui de problemas da nossa sociedade, de questões políticas, religiosas ou futebolísticas... o que não quer dizer que não pense sobre elas, ou que não tenha opinião. Faço-o por mera opção! Este é um espaço generalista, sempre que possível bem humorado, e de mera distracção.

No entanto, ao folhear o Jornal de Negócios de hoje - não comecem já a achar "Olha a convencida, só para dizer que até lê o Jornal de Negócios...", nada disso! mas preocupo-me se a gaita da taxa de juro do crédito habitação vai subir outra vez - deparei-me com um artigo de opinião da autoria de Camilo Lourenço, que me prendeu a atenção.

Nunca tinha lido nada do referido autor, mas confesso que gostei do raciocínio.

Como alguns sabem, trabalho na área de Organização - reorganização de serviços, reestruturações, fusões e afins - e o meu tipo de trabalho leva-me a, diariamente, pesar os prós e os contras de cada decisão e de cada alternativa a essa hipótese.

De quem é, afinal, a responsabilidade dos excedentes de professores sem colocação (45.000 segundo a informação recém-publicada) ?

Poderemos assacar a responsabilidade ao Ministério, à Ministra, ao Governo, ao Estado em geral?

Todos estes 45.000 profissionais ponderaram devida e suficientemente a sua opção curricular e profissional, antes mesmo de darem início à sua vida universitária?

Quando terminei o ensino secundário tinha uma ideia do que gostaria de vir a fazer na vida profissional. Ao invés da maioria dos jovens de hoje, nunca fiz um teste vocacional (nem nenhum colega meu, que me lembre, o fez), apenas por aquilo que via da realidade tive de tomar das primeiras grandes decisões da vida.

Uma coisa tinha presente na minha mente: Não estava interessada em enveredar por uma carreira de ensino!
Muitos colegas meus pensavam exactamente o mesmo; todavia, as opções de curso, que fizeram nesse momento, empurraram-nos para aquilo que menos queriam: O Ensino!

Se se tornaram bons ou excelentes professores, não sei, nem sequer está aqui em causa... o que retive foi que foram empurrados para a carreira que não queriam, por falta de saída dos cursos que escolheram.

Por oposição, conheço outros casos de pessoas, que, apesar da sua vocação ser para uma área muito específica, abdicaram e escolheram outro tipo de cursos, com uma maior abrangência ou com melhores possibilidades de integração no mercado de trabalho.

Tal como em crianças tivemos de aprender que não podemos ter tudo o que queremos, nem fazer tudo aquilo que nos apetece, também mais tarde, ao longo da vida, temos de perceber quais as consequências das decisões que estamos prestes a tomar.

Se o Estado tem alguma responsabilidade sobre este estado de coisas?
Nem sequer questiono!
Mas poderemos desresponsabilizar-nos das opções que fazemos?

Atirem-me as pedras que entenderem... mas esta é a minha opinião!


Sei Lá!

terça-feira, 4 de setembro de 2007

PORQUE É QUE EXISTEM “HOMENS-BOMBA”? E Nomeações???


Toda a gente pergunta: Por que os terroristas árabes estão sempre loucos para se suicidar?
É muito simples... olhem só....

É PROIBIDO:
1°) Sexo antes do casamento;
2º) Beber bebidas alcoólicas;
3º) Ir a bares;
4º) Ver televisão;
5º) Usar a Internet;
6º) Desportos, estádios, festas…;
7º) Buzinar;
8º) Comer carne de porco;
9º) Música não-religiosa;
10º) Ouvir rádio;
11º) Barbear-se;


Além do mais,
12º) Há areia por todos os lados e nenhum buggy para se divertirem;
13º) Farrapos em lugar de roupas;
14º) Come-se carne de burro cozida sobre bosta de camelo:
15º) As mulheres usam burka e não dá para ver, sequer, a cor dos olhos;
16º) A esposa é escolhida pelos outros e o rosto é visto só na procriação;
17º) Sexo depois de casado só para procriar e feito no escuro com a mulher vestida com o shake:
18º) Reza-se a Alá, às 6:00, 9:00, 12:00, 15:00, 18:00, no pôr-do-sol, às 21:00 e 00:00;
19º) A temperatura nos países árabes é entre 45º e 58º e em alguns lugares até mais;
20º) Para economia de água, banho apenas uma vez por mês e só nas partes - digamos - mais sujas (devem ser os pés..)
21º) E dizem-te que quando morreres, vais para o paraíso e terás tudo aquilo com que sonhas!


Agora, pensem bem e digam, sinceramente: Não se matariam, também ?


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A Silly Season trouxe com ela uma nova onda de nomeações.



Sei que os que as atribuiram o fizeram com carinho, mas confesso que ando cansada e com pouco tempo para dar o devido seguimento a estes mimos que de vós recebi!



As Gajas Podres de Boas dizem que sou 5 estrelas.





O Migvic e o Francisco del Mundo dizem que tenho Schmooze Power - qualquer coisa como capacidade de movimentar as pessoas para participarem...





E a Aorta diz que eu sou Bué da Fixe :P





Considerem-se todos nomeados!

Se vos visito é porque são 5 Estrelas, me fazem participar e são Bué da Fixes, OK?!!


Sei Lá!

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A vez dele... III - 2ª parte


Ainda se lembrarão da história que o Zénite começou a contar-nos aqui.

Regressado das férias enviou-me a sua continuação, que tem 2 episódios. Espero que gostem e que continem agarrados à história...

Amores Virtuais II

– O Passeio

Incrédulo, Pedro olhou para a silhueta feminina que, de tão próxima, se desenhava imprecisa á sua frente. Atabalhoado, fixou durante segundos, que lhe pareceram horas, o belo rosto que quase roçava o seu, até que por fim conseguiu articular algumas palavras:

«Leonor, que fazes tu aqui?!»

Serenamente, Leonor respondeu-lhe:

«Penso que o mesmo que tu, Pedro.»

Visivelmente perturbado, Pedro ainda conseguiu acrescentar:

«Mas... e o nick "Leonor" ? Não era um nick, a Leonor com quem... afinal eras... és mesmo tu, Leonor?»

Com a mesma tranquilidade com que aparecera, Leonor limitou-se a retorquir, sorrindo:

«Por que estranhas que o meu nome coincida com o "nick"? Não procedeste tu de igual forma no fórum e nos e-mails? Comunhão de ideias e sentires, lembras-te, Pedro?»

Havia muita ternura nos seus lindos olhos azuis, quando acrescentou:

«Não me cumprimentas, Pedro? Não me dás um beijo?» - E, acto contínuo, aproximou os seus lábios dos de Pedro, que roçou levemente, enquanto ele fechava os olhos, extasiado, permanecendo com eles cerrados por largos segundos, como se receasse abri-los, com receio de perder a divina aparição que por momentos considerou ser fruto da imaginação.

Aqui chegados, cabe referir que Pedro e Leonor trabalhavam na mesma multinacional, em Lisboa, embora em departamentos diferentes. Ali se conheceram quando, certo dia, um amigo comum os apresentou um ao outro. Uma vez por outra almoçavam com um grupo de amigos à mesma mesa no restaurante da empresa. Jamais falaram a sós.

Quando Pedro saiu da sua letargia, surpreendeu-se ao ouvir a sua própria voz:

«Leonor, apesar de nunca ter tido coragem para to dizer, digo-o agora. Sempre te amei. Fui eu que pedi ao Carlos que nos apresentasse um ao outro. Mas sentia-te longe, e ao sentir-te longe, concluí que não te merecia. E desisti de te confessar o "coup de foudre" que me atingiu quando me cruzei contigo num dos corredores da empresa, no dia da tua admissão.»

A saia preta justa e curta, e o casaco de cabedal castanho sobre a camisola bege, em perfeita combinação com os cabelos flavos, faziam sobressair a elegância e beleza helénicas de Leonor.

Um sorriso encantador há muito se desenhara nos seus lábios rubros, enquanto seus olhos, que espelhavam a doçura do infinito, se prendiam nos de Pedro.
Crescia a tarde e com ela o amor.

sábado, 1 de setembro de 2007

Gata marcada...

Alguns provavelmente se lembrarão, que há exactamente um mês vos falei de 3 gatas... uma delas marcada... alguém me questionou

- O que é isso de uma gata marcada?








Pois aqui fica a resposta ilustrada...







A gata fez uma tatuagem...






Sei Lá!
p.s. - mas é só para alguns verem :P

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

A vez dele... IV - 2ª parte

E aqui vos deixo a 2ª parte do conto do Francisco del Mundo. Espero que vos agrade tanto como a 1ª...



– Agora é convosco…

Ela sentou-se a seu lado e olharam-se. Apesar da surpresa, o mesmo sorriso cúmplice assomou os lábios de ambos. Ele recuou muitos anos e voltou a sentir-se sedutor. A saber que botões carregar para fazer uma mulher sorrir.
- Boa noite! – disse calmamente, com o coração disparado.
- Boa noite! – respondeu ela, numa voz doce.
- O William deixou aqui a sua bebida. Parece que é a sua favorita.
- De facto, ele sabe o que gosto.
– tinha uma timidez genuina, de quem foi apanhada.
- Calculo então que venha para cá há algum tempo. – queria ir devagar, aproveitando o momento.
- Já venho há vários anos. Venho descansar. Descobri o cartão do hotel no bolso do casaco do meu marido e resolvi experimentar.
- Ah, é casada?
– estava divertido.
- Sou. Mas o senhor já sabia isso. – ela começava a pôr as garras de fora – Estou certa que viu a minha aliança. Estou certa que o empregado no restaurante ou o William lhe disseram. E estou certa porque o vi nos seus olhos quando me sentei a seu lado. – a voz dela estava segura.
- Está a presumir várias coisas. Será que está assim tão certa? – gostava de a ver assim confiante.
- Aprende-se a conhecer os homens. - afiançou.
- Todos? Seremos todos iguais? O William disse-me que era pessimista. Será que nos vê todos como maus da fita? – arriscou.
- Afinal sempre falou de mim com o William. – tinha um sorriso de triunfo.
- Apenas enquanto os restantes 50% daquilo a que o William chamou “os seus clientes favoritos” – não era ainda tempo de ela ganhar.
- Hummm… Vou acreditar.
- Mas não me respondeu. Seremos todos iguais?
– estava a esticar a corda, sabia-o.
- Tempos houve em que não queria saber dos homens. Até a pessoa que aprendi a amar passou por muito antes de me conquistar. – falava sem rodeios.
- Aprende-se a amar? – perguntou.
- Claro que sim. Quando se é magoada, as nossas defesas demoram a soltar-se. Mas depois começa a ver-se que alguém nos conquista quando fala, quando beija, quando está ausente. – explicou.
- Ausente? – estava fascinado a ouvi-la.
- Sobretudo quando está ausente. Aquele provérbio “Longe da vista, longe do coração” é para quem não ama. É quando não se tem a pessoa à frente e nos faz falta que descobrimos que amamos. Sem querer ou por querer, ele deu-me o espaço suficiente para descobrir o que sentia.
- Ele ficou em espera?
- sorriu.
- Sim, mesmo não sabendo o que poderia acontecer.
- Teve sorte.
– afirmou.
- Eu ou ele? – perguntou, soltando uma gargalhada contagiante.
- Ah, ah! Os dois. Ele porque esperou e correu bem, e você porque pô-lo em espera e ele não fugiu. – riu com ela.
- Quem ama, não foge.
- Não? Então já não o ama? Porque estar aqui é uma fuga.
– decidiu passar ao ataque.
- Talvez seja. – pensou uns instantes – Uma fuga, não o deixar de o amar. – havia certeza na voz.
- Então, ama-o? – confrontou-a.
- Disso tenho a certeza. O que tinha dúvidas era se o nosso futuro era conjunto.
- Já pensou em ser infiel?
– descarado.
- Nunca. Ele basta-me e gosto de pensar que lhe basto a ele. Não creio que ele seja do tipo infiel. Você é? – quis desviar a conversa dela.
- Sou do tipo fiel. Mas ao vê-la, confesso que senti algo que já não sentia há muito. Foi o relembrar de sentimentos escondidos. – já não havia volta atrás na conversa.
- Ai foi? Mas em que momento? É que pode considerar-se traição. – ela estava divertida.
- Confesso que só a vi de costas na piscina e no restaurante. Nessa altura era só um mistério. O William foi descrevendo-a com enormes elogios e fiquei curioso. Quando a vi, fiquei enfeitiçado.
- Enfeitiçado? Uma palavra que não ouvia há muito tempo. Tinha saudades dela.
– o olhar dela ficou embaciado.
- Mas é isso que sinto. Não costumo esconder o que sinto, e tenho uma vontade de estar consigo. De fazer amor, de dormir, de acordar…
- Páre. Não sei como reagir.
– vacilou.
- Diga-me o que sente.
- Vontade de me perder.
– confessou ela.
- Há muito tempo que me sentia apático, mas chegou o momento de voltar e ser eu mesmo. Quer ir para o meu quarto ou para o seu? – fez a pergunta com o coração a mil, receando a reacção.
- Nenhum. – havia um sorriso no olhar
– Emocionaste-me. Vamos para casa, meu bem.
- Meu amor, sinto que te reencontrei.


Levantaram-se e saíram. William sorriu. Já tinha descoberto há muitos anos que seriam casados um com o outro. Segredos de um barman…



quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Amigos...



Continuem a ler o texto do Francisco, mas hoje tinha de publicar isto...


Sei Lá!

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

A vez dele... IV

Desta feita trago-vos as palavras do Francisco del Mundo, para ilustrar a história do Pedro e da Leonor. Com toda a liberdade de expressão e criatividade... só assim entendo que se aceitem desafios... o Francisco traz-nos uma perspectiva diferente, que espero apreciem tanto quanto as outras!

Tal como a história narrada pelo Zénite, também a do Francisco del Mundo tem mais de um episódio, neste caso dois.

Deixo-vos hoje o 1º, espero que se deliciem a lê-lo!


Reencontro...I



Aquele era o hotel das suas escapadelas. Não com outras mulheres, porque tinha sempre sido fiel. Era o seu refúgio quando o casamento e os três filhos exigiam demasiado dele. Bastavam-lhe dois ou três dias para que pudesse regressar à rotina dos dias, de todos os dias. Não mentia à mulher, dizia-lhe que ia passar uns dias fora, e agradecia que ela compreendesse. Aliás, era uma rotina que ambos praticavam e que tinha feito com que a união de 15 anos se tornasse mais segura. Mas esta vez tinha algo de diferente. Ela tinha saído de casa dois dias antes. Tinha partido com um olhar estranho. Como se algo estivesse em risco. Eram proibídos os contactos entre eles durante esse período. As regras eram conhecidas. Mas ele não estava a aguentar ficar em casa com esta incerteza. Pediu então à mãe que tomasse conta dos netos por uns dias e partiu para o seu hotel. Precisava de um certo sossego para pensar no seu futuro. No futuro deles.
Chegou ao início da tarde. Em Setembro o calor ameno, sem vento, convidava mesmo a uns dias de férias. O gerente, velho conhecido, saudou-o com o sorriso de quem vê chegar um amigo.
- Quer o quarto do costume, senhor doutor?
- Já me conhece. Sou uma criatura de hábitos.
- Nunca se sabe o futuro.
– retorquiu o homem atrás do balcão.

Aquela frase, naquela conjuntura, obrigou-o a pensar. Será que tinha chegado a um ponto de viragem? Em todos nós há um momento em que questionamos se somos felizes ou não. Ele sentia que era feliz. Depois pensou se se sentia completo. E aí vacilou. Sim, tinha casado com a mulher que amava. Sim, tinha arranjado um belo emprego. Sim, a vida corria-lhe bem. Mas... faltava algo. Faltava o elemento surpresa. Faltava o inesperado. Faltava sentir-se vivo.

Seguiu até ao quarto em que ficava sempre. Virado para a serra e com a piscina uns metros abaixo. Pensou em dormir um pouco, mas a espreguiçadeira do exterior estava convidativa. Pediu um toalha na recepção e, com o livro debaixo do braço, seguiu para a piscina. Pouca gente. Uma família com dois filhos pequenos, um casal de idosos, e uma silhueta feminina à distância. Tinha vindo para descansar e por isso estendeu-se a ler o seu livro. Deitado de barriga para baixo, em breve caiu num sono profundo. Passaram algumas horas e o sol já fugia quando acordou. Alguns metros ao seu lado, seguindo para o hotel, a figura feminina caminhava. Deveria ter a sua idade, mas o biquini cor de rosa na pele morena fazia sobressair o corpo firme de uma bela mulher. Sentiu uma erecção e não pode deixar de sorrir.
- Ah, meu velho, não sabes que viemos em descanso! – pensou, baixando os olhos.
Decidiu dar um mergulho, aproveitando os últimos raios de sol. Ali, debaixo de água, sentia um relaxamento incomparável. Dizia o seu signo que o seu elemento é o fogo, mas sempre foi na água que se sentia em casa. Prolongou de tal forma o banho que quando saiu, o ar frio da noite o gelou. Correu até ao quarto, respondendo com um sorriso às piadas dos empregados. Tomou um duche demorado. Ao sair, olhou para o espelho. Já não o fazia há muito tempo. Quarenta e dois anos de idade. Para trás tinha ficado a magreza que o caracterizou durante anos. Tinha agora um físico robusto e cuidado. Não era narcisista mas gostava de ver o corpo em boa forma. Como a mulher da piscina. Mais uma vez, o calor do seu pensamento acordou o seu pénis. Soltando uma gargalhada, olhou-se no espelho e exclamou:
- Mas tu hoje estás doido! Vamos lá vestir a ver se encontramos a razão da tua loucura.

Vestiu-se e perfumou-se. Calçou-se e penteou-se. Deu por si a preparar-se como se fosse para um encontro. Abanou a cabeça. Estava assim por uma pessoa que só tinha visto de costas. Desceu pelo elevador e encaminhou-se para a sala de jantar. Sentou-se na sua mesa de sempre e só depois reparou na misteriosa mulher. Mais uma vez ela estava de costas, com um vestido decotado que deixava ver umas costas morenas e bem definidas. Os cabelos compridos caíam sobre os ombros. Era sem dúvida uma figura atraente, mesmo sem ter visto o rosto. O empregado costumeiro aproximou-se e entregou-lhe a lista.
- Recomendo-lhe o bacalhau com natas.
- Confio, como sempre. Diga-me uma coisa, quem é aquela bela figura na mesa do canto?
- É uma hóspede habitual. O senhor nunca a tinha encontrado?
– perguntou surpreso.
- Não, estou certo que me lembraria.
- É uma senhora casada, mas que aparece sempre sozinha.
– esclareceu cúmplice.
- Olhe, é como eu. – sorriu.
- Exactamente. Como o senhor doutor. – disse com um sorriso levemente malicioso, enquanto rodava para a cozinha.

Casada. Nem tinha pensado nessa possibilidade. E na verdade, não fora o aviso do empregado e tinha-se esquecido do próprio estado civil. Mas porquê?! O que se passava com ele para se abstrair de tal forma da realidade? Começava a recear estar a perder o contacto com a sua vida quotidiana. Ou seria apenas uma fase normal da vida de um casamento? A vida não traz livro de instruções, mas um homem precisa de indicações. Ou será que é mesmo assim, às cegas, que se constrói o caminho? Já tinha ouvido falar das crises de meia-idade mas sempre lhe pareceu algo que aconteceria apenas aos outros. Nunca lhe apeteceu comprar um carro desportivo ou ter mulheres mais novas. Aliás, era uma mulher da sua idade que o tinha despertado naquele dia. Levantou os olhos em direcção a mesa dela e ela já não estava lá.
- Raios! – pensou – Ponho-me aqui a pensar e nem olho o que se passa à minha volta. Ao menos tinha visto se é bonita ou não.

Entretanto chegou a comida e decidiu apreciar apenas a comida. Sem pensar em mais nada…

Quando acabou o jantar, vacilou entre ir para o quarto ou dar um salto ao bar. Não que tivesse muita vontade, mas a simpatia contagiante que o barman tinha, obrigava-o a ir cumprimentá-lo. Caminhou devagar. A digestão do alimento e do pensamento obrigava-o a isso. Entrou no bar e logo viu o sorriso enorme do homem que sabia tanto de bebida como da vida. Teria os seus cinquenta e muitos, sessenta anos. Tinha uma vitalidade à prova de bala e, à medida que se aproximava do balcão, podia confirmar, um aspecto invejável.
- Grande William! – o verdadeiro nome era Guilherme mas o seu aspecto britânico e a sua paixão exclusiva ao whisky William Lawson, fazia com que os clientes o tratassem assim.
- Senhor doutor, que bela surpresa! Sou um homem de sorte hoje. – respondeu, estendendo a mão enorme mas delicada de quem manobra copos e garrafas.
- Não é caso para tanta euforia, a minha presença. – fingiu, agradado por ser tão bem acarinhado.
- A sua presença é sempre uma festa mas tenho a sorte de ter os meus clientes favoritos ao mesmo tempo. Creio que isso nunca aconteceu.
- Ah, então não sou razão única.
– deliciado por fazer parte de um grupo selecto de clientes favoritos.
- Doutor, o senhor vem cá há quantos anos? Uns dez, não?! É o homem com quem mais me agrada conversar. Tem uma visão do mundo mais alargada que a maioria. É um optimista por natureza. É o azul do mundo. – explicou, enquanto servia a bebida que ele queria sem nada perguntar – Mas existe uma cliente favorita. Uma mulher belíssima. Por dentro e por fora. É ela que me dá a visão do mundo que não consigo ter e que nem mesmo o doutor me dá: a visão rosa do mundo. Tem um pessimismo suave de quem espera o pior apenas porque deseja o melhor. Para si mesma e para os outros. E ela está cá hoje também.
- Ah, mas onde está essa parceira deste duo?
- brincou.
- Esteve aqui! Tomou um café, foi dar uma volta pelo parque e prometeu que voltava para uma conversa. – incrível como conseguia manter a conversa enquanto atendia os outros clientes com esmero.
- Não me digas que é uma mulher com a minha idade, que hoje está com um vestido preto sem costas? – perguntou, não tendo dúvida que a resposta seria afirmativa.
- Exacto. Já a conhece? – sorriu William.
- Confesso que até agora só lhe conheci as costas. – riu.
- Ah, ah! Bem sei que se deve conhecer as pessoas aos poucos, mas isso é exagero. – riram em conjunto.
- Creio que é a primeira vez que a vejo aqui.
- Tenho a certeza disso. Não me esqueceria de ter os dois aqui ao mesmo tempo. Permita-me que diga que tenho sido o confidente de ambos. Têm os dois os problemas normais de casados, coisa que já fui e por isso sei do que falo. E de resto, toda a gente sabe que os barmen têm que saber ouvir tão bem como servir bebidas.
– confessou.
- De facto, as nossas conversas tem sido um belo suporte a minha sanidade mental. E desculpa se te tenho aborrecido. – respondeu.
- Não tem nada que pedir desculpa. Há pessoas que ouço por cortesia, mas a si ouço por prazer. – via-se que estava a ser sincero.
- Meu bom amigo, ouvir isso é fantástico! Até porque isto não está fácil. – disse com uma sombra no olhar.
- Claro, o senhor doutor só aqui me aparece quando não está bem. – riu, abrindo um sorriso de conforto.
- Ah, ah! És o meu psiquiatra. Esta cadeira é o divã. E a medicação é esta bela bebida que me serves. – era impossivel estar triste na presença daquela personagem terapêutica.
- Mas diga lá o que o apoquenta. – assumindo a pose de quem vai ouvir.
- O mesmo, mas diferente. Precisei de uma pausa da realidade do dia a dia, mas não sei se desta vez não estou a pôr tudo em causa. Tenho tudo o que preciso para ser feliz e ainda assim sinto que falta algo. Falta emoção, falta novidade…
- Hummm…
- assentiu, sabendo que ainda não era tempo de falar.
- Amo a minha mulher, disso não tenho dúvidas. Mas não sei se é o suficiente. – concluiu.
- Lembra-se das razões porque casou? – era uma pergunta que adivinhava muitas outras.
- Claro que sim. Amava-a. Queria ter uma vida com ela. Queria ter filhos com ela. Ela bastava-me. Só a via a ela. - estava tudo nítido na sua cabeça.
- Vejo que se lembra de tudo. Pois bem, então o que mudou? Deseja outra pessoa? – começava a encurralá-lo.
- Não sei. Acho que desejo algo novo. Por exemplo, aquele mulher que falaste há pouco. Só a vi de costas na piscina e ao jantar, mas senti desejo em conhecê-la. – as confissões surgiam naturalmente.
- Sem lhe ver o rosto. – constatou, sem nada perguntar – Meu caro amigo, essa ânsia de algo novo não é estranha. – sentia que o barman embalava agora – Essa mesma mulher de que fala está na mesma fase. Um casamento longo, vivido, bom. Tudo parece perfeito, mas falta algo. É a rotina que se instala. Esse bicho-da-madeira das relações. Tem de se lutar contra ele. Essas pausas que o senhor e essa mesma senhora fazem não chega. É uma fuga, não uma solução. As coisas não se resolvem com pausas ou tempos para pensar. Isso são adiamentos. Necessários mas que nada resolvem. Há quanto tempo o doutor e a sua esposa não fazem umas férias sozinhos? – perguntou certeiro.
- Há quinze anos! Desde que nasceu o primeiro filho. – respondeu, apercebendo-se do ponto onde William queria chegar.
- Pois! Bem sei da importância dos filhos num casamento, mas as pessoas não se podem esquecer de que é preciso alimentar a relação a dois. Se a mulher que viu na piscina lhe suscitou algo, pode não ter sido aquela mulher específica, mas por ser alguém diferente.
- Talvez, mas ela tinha alguma coisa que me chamou a atenção.
- Meu caro, apenas lhe viu as costas. Posso-lhe dizer que é uma bela mulher para ser descoberta. Gostaria de descobri-la?
– sorriu.
- William, eu não vim aqui para trair a minha mulher. Vim para me encontrar. Para descobrir o que se passa comigo. O que se passa connosco!
- De acordo, mas acredito que descobrindo essa mulher mistério, lhe seja mais fácil saber o que sente. Seja como for, pouso aqui ao seu lado a bebida que ela bebe, porque ela vem aí.
– enquanto dizia isto, sorria a alguém que se aproximava – Agora é convosco…