domingo, 21 de outubro de 2007

Inquietações, sentires e verdades...



Ao longo da vida sempre fui uma admiradora (secreta, ou nem tanto) do papel dos professores na nossa vida...


Sempre tive a noção e a percepção do quanto um professor pode fazer toda a diferença... a diferença entre o gostar, ou não, de uma matéria ou de uma cadeira... a diferença entre o ir para a "escola" com prazer, ou por obrigação... a diferença entre "entender" uma realidade, ou simplesmente saber responder a algumas perguntas sobre ela... a diferença entre admirar, respeitar, ou apenas co-habitar um espaço com alguém que tem por profissão ensinar!


Um professor tem de professar, acreditar e gostar daquilo que ensina e de ensinar, ser capaz de se empenhar empenhando aqueles que, de olhos e ouvidos abertos, se sentam perante ele, como livros em branco ainda por escrever, preenchendo aquelas páginas com algo mais que conhecimentos empíricos...


Um professor é, foi e, para mim, sempre será também um formador de caracteres, como um escultor que vai moldando barro (ainda que duro e quase seco) a cada vez que lhe toca e lhe põe as mãos... alguns deixam-nos o gosto por este ou aquele conhecimento, outros a vontade de saber mais e ir mais longe, outros ainda, a visão de que o mundo e a realidade não é apenas aquilo que estamos habituados a ver e a tomar como verdades absolutas... e há aqueles que nunca esqueceremos, aqueles que nos marcaram de forma indelével, e que lembramos nos mais diferentes momentos das nossas vidas!


Hoje fiz preguiça, deixei-me ficar na cama a ver televisão... mas por causa de um filme que me recuso a deixar de ver, uma e outra vez... "O Clube dos Poetas Mortos"


Não consigo chegar ao fim sem sentir um tremendo nó na garganta... sempre! uma e outra vez!... já devia estar habituada, mas não consigo deixar de me emocionar!


Uma vez mais me veio à memória o meu director de curso, que no fim da licenciatura nos fez um pequeníssimo discurso do qual ainda hoje retenho o essencial: " A partir de hoje estão licenciados, mas isso significa apenas que têm Licença para Aprender, é lá fora, no mundo real e no trabalho que o resto se aprende"


Por ele, e muito por me lembrar do quanto nos motivava a ir mais longe, tento aprender sempre um pouco mais, ir um pouco mais longe, experimentar e testar as minhas capacidades... se calhar, a ele devo o facto de ter voltado à "escolinha"...


Sei Lá!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Irritações...

Estou assim, a modos que, irritada com o blogger!




Estava eu a guardar uma imagem fabulosa para pôr aqui... e este estúpido decidiu dizer-me que não suporta o formato!


Está parvo! Não suporta? Mas o que é isto, heim!?


Então deixo eu de lado mais de 1500 páginas de autores reputadíssimos, mais de uma dezena de reflexões e inquietações que me assaltam de minuto a minuto, para vir aqui fazer o gosto ao dedo e aos olhos... sim, porque os olhos também comem... oh! se comem!... e tudo isto para este ignorante estético me responder que "Não suporta o formato"?


Estás aqui, estás a levar com um manual ou um tratado nas ventas... é o que é!!!


E agora só para chatear, fico para aqui a debitar irritações, em vez de inquietações... ai não queres a imagem?... então levas comigo!


Acho que o melhor é ir estudar que este hoje já me f.... lixou o esquema!



Sei Lá!


domingo, 14 de outubro de 2007

Boa na cama... ou Boa de cama...?


Lembrei-me agora que este rapaz me desafiou oferecendo-me o prémio de "Boa na Cama"... ou seria mesmo de "Boa de Cama"... Sei Lá!

Na 6ª feira dei um pontapé numa pedra (ela não tinha culpa... apenas se atravessou no meu caminho...)... ontem, após ter passado por uma Enorme e Rubra Vergonha, pelas escadas, os bancos e as ruas desta Lisboa, mandei alguém a voar e senti-me atirada para o sofá, como se de uma cama se tratasse... quando, passadas umas horas, fui acordada do meu estado de dormência, física e psíquica, pelo telemóvel que zumbia, pensei... "Eu devo mesmo ser Boa é de Cama..." (que vergonha!)

E as pilhas de folhas para ler a acumularem-se, e os livros... com dedicatória e tudo... a juntarem-se-lhes... e eu a gastar tempo desta maneira... devo estar mas é doida... desde quando é que os dias só têm 24 horas, alguém me diz?!

E assim se prova o quanto, ainda que envergonhada, eu sou boa de cama! Ainda bem que não tive de prestar provas... caso contrário ainda teria de ler o Kamasutra, e com tanta leitura em atraso, então, é que não tinha mesmo tempo para a parte prática...!!!

Agora tenho de passar este prémio/desafio a cinco pessoas...? Mas como raio vou eu afirmar que há gajas boas de cama... não costumo metê-las na cama para ver... seria uma falsa afirmação... ou uma mera presunção minha... só me falta mesmo a água benta...

Resumindo! Vou nomear apenas homens ou será que são apenas, virtualmente, homens... ai já estou toda baralhada, mas enfim, aqui vai:


Francisco - que sendo romântico, também é del Mundo, e como tal, das mulheres... presumo!


Garfanho - que cada vez que se mete na casa da D. Micas, aquilo até ferve, às vezes de pancadaria ;-)


Libertynus - Sim, cavalheiro! Quem melhor do que você para ser Bom de Cama... um dia ainda terá de prestar provas... quiçá!


Noivo - Pois... acho que sim! Apesar de ultimamente só o ler em coisas mais soft... será do casamento? hihihi


Rochinha - Ai menino... andas tão "entusiamado"... Sei Lá!


E agora toca a praticar... sim! que de teoria já eu estou a ficar cheiaaaaaaaa.....



Sei Lá!


quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Grandes Verdades



Toda mulher precisa ter 2 homens...

Foi provado, após acompanhamento de vários casos, que toda mulher precisa de dois homens: um em casa e outro fora de casa.

Para entender, é muito simples:
O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa e da casa.
O outro cuida de você.
O marido fala dos problemas, das contas a pagar, das dificuldades do dia.
O outro fala da saudade que sentiu de você durante a sua ausência.
O marido compra uma roupa nova para ir a um compromisso de trabalho.
O outro tira essa mesma roupa só pra você.
O marido dorme com aquela camisola velha e de cuecas (as vezes até de meias).
O outro dorme completamente nu, abraçadinho a você.
O marido reclama das coisas que tem que consertar em casa e tem tudo desarrumado.
O outro recebe-te e tem um apartamento onde tudo está organizado e funciona perfeitamente.
O marido telefona pra casa e fica perguntando o que tem que comprar no talho, no supermercado, padaria e etc.
O outro telefona só pra dizer que comprou um champanhe que você vai adorar.
O marido reclama do chefe, do trabalho, do cansaço de acordar cedo.
O outro reclama a sua ausência e os dias que fica sem te ver.

Bem, você vai me perguntar : - Por que não trocar o marido pelo amante?
Pelo simples fato de que o amante, se for viver com você, passará para o papel de marido e logo, logo, você precisará arrumar outro.

Ah...esqueci o imprescindível.... o outro nunca vai beber cerveja com os amigos numa sexta-feira!!

Hoje recebi esta e não resisti a partilhá-la convosco, hihihi

Sei Lá!




sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Hoje deixo-vos com esta...



Há caminhos que só nós podemos percorrer, e que só percorrendo se entendem!

Sei Lá!


domingo, 30 de setembro de 2007

Novo Ciclo...


A vida é feita de ciclos, e antes que começasse a andar em círculos decidi iniciar um Novo Ciclo... vou estudar, de novo!


Claro que isso vai ter muitas implicações na minha vida, claro que vai implicar esforço, sacrifício e todos os minutinhos e mais alguns... mas espero que me traga a correspondente satisfação...


Hoje fui pela 1ª vez, à séria, à faculdade, e senti-me... mais ou menos assim...


Só espero que ninguém tenha percebido...

Sei Lá!


p.s. - Vou ter pouco tempo para o blog e para vos visitar, mas prometo que, pelo menos uma vez por semana aqui venho, para vos dar notícias e manter a leitura em dia...


terça-feira, 25 de setembro de 2007

Regressei



Ainda não totalmente... eheheh... ainda tenho mais uns dias de férias, que quero aproveitar bem, porque o próximo ano vai ser bem duro de roer... por agora deixo-vos algumas fotos...




Estive alojada por aqui, com muito verde, muitos relvados, muitas flores e muita paz e sossego...




As praias estavam como eu gosto... com pouca gente, água límpida e morninha, mar calmo, uma temperatura excelente... ligeiramente abaixo dos 30º




E se por acaso viram um cenário destes na praia...


...eu estava por perto!


E os fins de dia estavam fabulosos!
Vou continuar as minhas férias, até Domingo!
Sei Lá!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

E agora...


Concluída que está esta fase do trabalho, que me levou a passar mais uma semana por terras do Douro...



Onde deliciei a vista com a magnitude das paisagens e a barriguinha com as maravilhas da gastronomia...

Passei ainda por Vila Real, onde tive oportunidade de comer um Jaquinzinhos fritos deliciosos (daqueles muitooooo pequeninos que já não vemos por cá... por serem muito abaixo do tamanho permitido por lei... mas que são divinais), umas petinguinhas fritas que não lhes ficavam nada atrás, uma Alheira com Broa (de comer e chorar por mais), uma Vitela Entrouxada (ai! Deus!), e uma Tripas aos Molhos, recheadas de presunto, que me disseram ser o prato regional de Vila Real... como é que eu vou caber no biquini, não me dizem???

Restaurantes de referência em Vila Real:
- Museu dos Presuntos (para os Jaquinzinhos e as petinguinhas)
- Terras de Montanha (para a Alheira e a Vitela)

As Tripas comi-as num restaurante-quase-tasquinha, de que não me lembro o nome, mas fica perto do quartel de infantaria... perguntem!



Disse adeus ao Douro e ao Norte e rumei à cidade, para fazer de novo as malas e amanhã....





FÉRIAS QUE LÁ VOU EU!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Sei Lá!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Saltando telhadinhos...



De volta à Terra Quente, mais uma vez em plena época de calor, o trabalho é muito e o tempo para outras coisas muito pouco…

Apanhei uma grande decepção porque esperava encontrar as vinhas em plena vindima e cheias de cor… naquela fase que, já vos disse, me inebria e me transporta, qual quadro saído da paleta de um pintor louco… onde os vermelhos-fogo se cruzam com os dourados, os castanhos, os amarelos e os verdes… misturado com a azáfama das vindimas… mas, este ano as vinhas estão atrasadas… ainda pintadas de verde, começando, aqui e além, a aparecer uns leves tons dourados… e vindimas… nem vê-las!

Disseram-me que, se não houver nenhuma intempérie, este será um ano de colheita de reservas especiais – por isso estejam atentos – uma vez que a uva fez uma maturação mais lenta e com muito sol e calor na fase final… veremos… ou antes, cá estaremos para comprovar a teoria.

Uma vez mais, o trabalho levou-me a percorrer estradas desconhecidas, a descobrir localidades e paisagens, a encher os olhos e a mente de imagens… das margens do Douro, às margens do Tua e do Sabor… de Carrazeda de Ansiães a Vila Flor e a Alfandega da Fé, de Torre de Moncorvo a Freixo de Espada à Cinta… dos vinhedos verdes aos olivais prateados, aos amendoais a dourar, dos vales profundos ao cimo das serras imensas, aos planaltos… apenas a dura realidade do trabalho me conseguiu fazer “aterrar”, caso contrário teria voado…

E a comida… ai senhores! Querem rebentar comigo! Restaurantes de referência: - Churrasqueira em Carrazeda de Ansiães – não se deixem enganar pelo nome, chama-se assim devido à enorme lareira onde assam, divinalmente, a carne mirandesa, a melhor Posta Mirandesa que comi, um belíssimo Entrecosto de Vitela, Costeleta de Vitela, Polvo à Lagareiro…
- Lagar, em Torre de Moncorvo – Polvo, Bacalhau e claro Vitela Mirandesa, de todas as formas e mais alguma
- Artur, em Carviçais (entre Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta)
- Eventos, em Alfandega da Fé – gerido pela Santa Casa da Misericórdia, visa criar postos de trabalho para uma população sem saídas…

Sabem que mais… é quase hora de jantar e estou a ficar cheia de fome!

Se forem à Churrasqueira, em Carrazeda, não deixem de provar o doce de bolacha, ou a mousse de iogurte com doce de cereja!!!! Eu vou agora!

Ainda por cá vou continuar até ao fim da semana… desta feita tenho de concluir o trabalhar, para a seguir ir gozar as minhas, à muito, merecidas férias!!!!! Claro, o biquini vai ficar apertado….


Sei Lá!

sábado, 8 de setembro de 2007

Desafios e... mais desafios

Mais uma vez… voltou uma onda de desafios à blogosfera… agora que eu me preparava para ir ver as ondas do Algarve… levei logo com 3 e sem sair da minha cadeira.

O White Fox desafiou-me para falar sobre 8 factos ou hábitos da minha vida… e o Poeta Vagabundo para falar sobre 7 factos casuais … como compreenderás, Poeta, os 8 dele incluem também os teus 7… hihihi… para complicar a coisa, a Aorta veio também desafiar-me com uma lista de 7 factos, mas subordinados a uma lista.

Vou, então, falar-vos um pouco de mim desta forma:





1 - Gosto de passear na praia, com os pés metidos na água, perdida nos meus pensamentos;


2 - Gosto de estar à lareira, a olhar as chamas crepitar;

3 - Gosto de ter a música por companhia, oiço-a o dia todo e à noite no computador;

4 - Adoro um banho de imersão demorado, ficar quase submersa a ouvir música, com o meu balão de whisky velho na mão (William Lawson 12 anos – de preferência);

5 - Gosto de boa comida e variada… aproveito sempre as minhas viagens para provar pratos regionais e experimentar novos restaurantes… e as minhas férias, são as chamadas “férias gastronómicas”;

6 - Sou um bocado como as panelas de pressão… hihihi… aguento bem a pressão, mas quando me “aquecem” demais “salta-me a tampa”;

7 - Sou muito reservada sobre os meus assuntos pessoais, raramente conto certas coisas, seja a quem for;

8 - Preciso de desafios – Não! Não é deste tipo de desafios! – Ciclicamente tenho de mudar de funções ou de alterar as metodologias de trabalho, de aprender novas coisas ou novas formas de as fazer; este ano decidi voltar a estudar, assim desafio-me a mim mesma!

**********************************



1º - Dia mais triste da minha vida: O dia em que percebi que me estava a enganar a mim própria.

2º - Dia mais feliz da minha vida: Cada um em que me sinto bem comigo e com o Mundo.

3º - Manias: Combinar o relógio com a restante roupa.

4º - Filme preferido: "Providence"

5º - Poeta preferido: Não tenho hábito de ler poesia, mas gosto muito de Florbela Espanca.

6º - Comida preferida: Ai tantas! Polvo, Bacalhau, Farinheira… ai! Sei Lá!

7º - Sou... Um coração de manteiga.

8º - Viagem de sonho: Uma ilha tropical

9º - Gosto de... Tudo o que me dá prazer.


Para não estar a “massacrar” muitos, passo ambos os desafios a:


Bekas (isto de ser novo por cá não te livra)
Brutal (ele sabe porquê)
Francisco del Mundo (toca a escrever menino)
Pedaços de Mim (para nos mostrar mais uns pedaços)
Vertigo (a ver se lhe passam as vertigens)

Como vou estar fora a semana toda, saltando telhadinhos, claro... e mesmo que me queiram espancar e apedrejar não estarei cá para que o façam... hihihi... deixo-vos, ainda, com o 3º episódio da resposta do Zénite ao desafio "A vez dele".

Assim não se podem queixar que não tiveram o que ler :P




Amores Virtuais

III

Vida em Comum



Sentaram-se a uma mesa do snack-bar. Eram maiores os silêncios dos lábios que os dos olhos e das mãos. As palavras, que não eram muito importantes naqueles momentos sublimes, podiam esperar. Já haviam trocado milhares delas nos e-mails.

Pedro avançou a mão sobre o tampo da mesa, até tocar os dedos de Leonor, que apertou ligeiramente, num afago. Leonor correspondeu, cingindo-lhe o polegar com o seu, e fixou-o nos olhos enquanto esboçava um sorriso cúmplice.

Pronunciou, com doçura, somente duas palavras: « Oh, Pedro!» «Vou amar-te para sempre, Leonor!» - disse ele. Saíram do snack de mãos dadas, e percorreram a exposição de fotografia com a alegria estampada nos rostos. De vez em quando, trocavam impressões sobre uma ou outra foto, mas estavam tão absortos na peculiaridade do encontro, que era mais o tempo em que se olhavam mutuamente e trocavam sorrisos de felicidade, que aqueles em que observavam as fotos, apesar de tanto as apreciarem.

Num recanto mais isolado, beijaram-se. Foi um beijo demorado, como querendo ambos saciar-se das sedes de lábios por que passaram nas longas madrugadas, frente à frieza dos monitores de vídeo carregados de promessas que se foram acumulando, sem cumprimento, ao longo dos meses. Ambos reconheciam que o beijo, mais do que uma expressão de amor, é uma expressão de vida. Sem beijos o corpo e a alma estiolam em solidão e acabam por morrer.

Chegaram à conclusão que era aquele o dia do encontro com a Vida, e que não o podiam deixar fugir. Pouco depois entravam no carro de Pedro, com destino ao Cabo Espichel. A tarde, luminosa e quente, apesar de se estar a meio de Março, era convidativa.

Percorreram a estrada que passa pelo cume da Serra da Arrábida, onde pararam para desfrutar o maravilhoso panorama que abrange o azul dos estuários do Tejo e do Sado, bem como grande parte das cidades de Lisboa e Setúbal, que alvejavam ao longe, e ainda toda a faixa costeira que se estende de Tróia a Sines.

Claro que pararam, mais para se beijarem, que para observar a paisagem. Mas também foi por isso. A tarde, ainda morna, abeirava-se das sete horas quando o carro entrou no terreiro rectangular, limitado a ocidente pela capela de Nossa Senhora do Cabo e flanqueado pelo casario que em tempos idos serviu de albergue aos romeiros que iam em peregrinação àquele pequeno santuário.

Embora situada num ermo, a igreja tinha a porta principal aberta naquela tarde. Como habitualmente, encontrava-se deserta.

Leonor e Pedro entraram. Apesar da penumbra que o cair da tarde ia instalando a pouco e pouco pelos recantos do templo, a luz que se coava através dos vitrais e das janelas superiores era ainda suficiente para lhes permitir apreciarem a traça majestosa de todo o interior. O altar-mor e os oito altares laterais, todos eles em estilo barroco, flamejavam em cores harmoniosas. O tecto da nave, bem como as paredes revestidas a mármore branco e preto da Arrábida, estavam cobertos de excelentes pinturas, também barrocas. A imagem de Nª Sª da Pedra da Mua (1) esplendia em seu nicho de mármore primorosamente trabalhado.

Respirava-se no santuário a quietude e a serenidade que só os ascetas experimentam em seus eremitérios. Leonor benzeu-se e ajoelhou-se no genuflexório. Murmurava, decerto, uma oração. Ou seria uma prece? Pedro, de pé, e com a ternura estampada no rosto, observava-a em silêncio.

Foi então que disse: «Vamos, Leonor, o Sol prepara-se para mergulhar nos reinos de Neptuno dentro de meia hora.» Leonor sorriu-lhe e deu-lhe a mão.

Dirigiram-se para as escarpadas falésias que bordejam o Cabo e sentaram-se num dos paredões ali colocados para dar alguma protecção aos visitantes daqueles lugares tão belos quanto inóspitos e perigosos.

O Sol, qual maçã de fogo colhida nos hespéricos jardins, franjava de mil cambiantes de cor e luz os céus do ocaso. Um rasto luminoso de ouro vermelho serpejava desde o Sol até à espuma que, alvacenta, dançava na base dos alcantilados rochedos. Ouviu-se o alegre trino dum rouxinol, enquanto uma gaivota silenciosa e branca sobrevoava o casal. A aragem galerna trazia consigo o aroma agridoce da maré, e segredava doces murmúrios aos ouvidos dos enamorados.

O Sol já desaparecera por detrás da misteriosa Atlântida, havia cerca de meia hora. Escurecia e arrefecia. Leonor sentiu um arrepio de frio. Lesto, Pedro correu ao carro e trouxe de lá o casaco de cabedal, que lhe colocou sobre os ombros.

Ela agradeceu e pousou a sua cabeça sobre os joelhos de Pedro, enquanto este lhe beijava amiúde ora lábios ora o rosto. Leonor correspondia aos beijos, quando, com voz de surpresa lhe disse: «Olha, Pedro, como está linda a Lua!»

A Lua, no seu plenilúnio, acabava de despontar sobre uma das torres da Igreja, cobrindo o pequeno promontório onde se encontravam com uma toalha de mel. Ou porque a Lua e o mel que derramava sobre a terra influenciaram Pedro, ou porque este já tinha a pergunta formulada na sua mente, o certo é que Leonor e o silêncio das rochas onde se sentavam ouviram as seguintes palavras, pronunciadas na voz quente e pausada de Pedro:

«Leonor, amo-te! Queres casar comigo?»

Decorreram breves segundos, que a Pedro pareceram horas, até que Leonor, na sua voz doce e maviosa, respondeu:

«Amo-te, Pedro! Não casarei, mas quero viver contigo. Se possível, para sempre! Aceitas?»

E, na paz soberana que o mel da Lua e a "Casa" da Senhora do Cabo derramavam sobre as cabeças dos dois namorados "virtuais", tendo por testemunhos a Terra firme e o fluido Atlântico, foi celebrado, com um beijo, um pacto de Amor e de Vida em Comum, porventura mais forte que os celebrados nas complicadas instituições dos homens.

(1)Andam envoltas em lendas poéticas as festas de Nossa Senhora do Cabo, cujo nome original, Nª Sª da Pedra da Mua, se deve a umas marcas que apareceram sobre o chão rochoso. Duas "testemunhas", dos tempos de D.Afonso III, diziam ser as marcas das patas da mula em que seguia Nossa Senhora, que eles "viram" montada na dita mula. Em 1970 descobriu-se que as marcas atribuídas à mula eram pegadas de dinossauros. O que inventa a Ciência para não deixar singrar uma lenda tão linda! Ao lado da Igreja está uma ermida muito pequena - talvez a área coberta não exceda uma dúzia de metros quadrados - , que terá sido construída no século XV.

Mas reais, reais, são os amores de Pedro e Leonor, que começaram por ser "virtuais", como vimos.


Sei Lá!