Um dia já fui Tágide, musa do rio, sereia... apaixonei-me por um humano e mudei a minha condição... abandonei a água e ainda mal sabia caminhar em solo firme, quando fiquei completamente só, num mundo novo, pleno de novas emoções e de sentimentos que eu mal conhecia...

Perdida, caminhava na beira de água, hesitante entre mergulhar, mesmo sabendo que seria sem retorno, ou continuar cambaleando, mesmo em dor... as lágrimas, que me corriam pelo rosto, queimavam-me a alma...
Cruzaste-te comigo, marinheiro, e vendo o meu ar perdido estendeste-me a mão, e ofereceste-me o teu peito largo para repousar...
Durante dias foste o meu amparo, a minha âncora, o meu porto de abrigo...

Muitas vezes me sentia perdida, mas sempre me encontrava escondida no teu olhar... reflectida no brilho dos teus carinhosos olhos.

O calor dos teus beijos, a ternura dos teus olhos, a doçura dos teus carinhos, foram ganhando terreno dentro de mim... sem o saber dentro de mim sussurravas uma doce melodia, melodia que me deixava encantada... vias-me, lias-me, conhecias-me às vezes melhor que eu mesma...
A cada dia a paixão ia crescendo, avolumando-se dentro de nós, fazendo crescer a atracção. No calor da paixão os corpos fundiam-se num só, como loucos devorávamo-nos mutuamente...

Cada vez se tornava mais difícil ver-te partir ao fim do dia, e para ti, partir... carregavas o peso do mundo nos ombros, cada vez que me viravas as costas... um dia ficaste...
Um dia fui eu que tive de sair, ainda que por pouco tempo, no silêncio da noite separei-me de ti, com o peito pesado pela ausência por vir...
Durante a viagem os temores avolumavam-se... Irias esperar por mim? Estarias à minha espera no regresso? Ainda brilhariam os teus olhos por mim?

Nessa noite sentei-me na praia a escutar as ondas... ouvia ao longe os cânticos das sereias, outrora minhas irmãs... durante horas revi, mentalmente, os últimos meses da minha vida.
Desde que te conheci a minha vida é plena de emoções boas, de sentimentos bonitos, de carinho...

Neste momento não consigo conceber a minha vida sem ti... palavras... que nunca te direi...?
Não! Palavras que te direi todos os dias!
Sei Lá!