quinta-feira, 30 de agosto de 2007

A vez dele... IV - 2ª parte

E aqui vos deixo a 2ª parte do conto do Francisco del Mundo. Espero que vos agrade tanto como a 1ª...



– Agora é convosco…

Ela sentou-se a seu lado e olharam-se. Apesar da surpresa, o mesmo sorriso cúmplice assomou os lábios de ambos. Ele recuou muitos anos e voltou a sentir-se sedutor. A saber que botões carregar para fazer uma mulher sorrir.
- Boa noite! – disse calmamente, com o coração disparado.
- Boa noite! – respondeu ela, numa voz doce.
- O William deixou aqui a sua bebida. Parece que é a sua favorita.
- De facto, ele sabe o que gosto.
– tinha uma timidez genuina, de quem foi apanhada.
- Calculo então que venha para cá há algum tempo. – queria ir devagar, aproveitando o momento.
- Já venho há vários anos. Venho descansar. Descobri o cartão do hotel no bolso do casaco do meu marido e resolvi experimentar.
- Ah, é casada?
– estava divertido.
- Sou. Mas o senhor já sabia isso. – ela começava a pôr as garras de fora – Estou certa que viu a minha aliança. Estou certa que o empregado no restaurante ou o William lhe disseram. E estou certa porque o vi nos seus olhos quando me sentei a seu lado. – a voz dela estava segura.
- Está a presumir várias coisas. Será que está assim tão certa? – gostava de a ver assim confiante.
- Aprende-se a conhecer os homens. - afiançou.
- Todos? Seremos todos iguais? O William disse-me que era pessimista. Será que nos vê todos como maus da fita? – arriscou.
- Afinal sempre falou de mim com o William. – tinha um sorriso de triunfo.
- Apenas enquanto os restantes 50% daquilo a que o William chamou “os seus clientes favoritos” – não era ainda tempo de ela ganhar.
- Hummm… Vou acreditar.
- Mas não me respondeu. Seremos todos iguais?
– estava a esticar a corda, sabia-o.
- Tempos houve em que não queria saber dos homens. Até a pessoa que aprendi a amar passou por muito antes de me conquistar. – falava sem rodeios.
- Aprende-se a amar? – perguntou.
- Claro que sim. Quando se é magoada, as nossas defesas demoram a soltar-se. Mas depois começa a ver-se que alguém nos conquista quando fala, quando beija, quando está ausente. – explicou.
- Ausente? – estava fascinado a ouvi-la.
- Sobretudo quando está ausente. Aquele provérbio “Longe da vista, longe do coração” é para quem não ama. É quando não se tem a pessoa à frente e nos faz falta que descobrimos que amamos. Sem querer ou por querer, ele deu-me o espaço suficiente para descobrir o que sentia.
- Ele ficou em espera?
- sorriu.
- Sim, mesmo não sabendo o que poderia acontecer.
- Teve sorte.
– afirmou.
- Eu ou ele? – perguntou, soltando uma gargalhada contagiante.
- Ah, ah! Os dois. Ele porque esperou e correu bem, e você porque pô-lo em espera e ele não fugiu. – riu com ela.
- Quem ama, não foge.
- Não? Então já não o ama? Porque estar aqui é uma fuga.
– decidiu passar ao ataque.
- Talvez seja. – pensou uns instantes – Uma fuga, não o deixar de o amar. – havia certeza na voz.
- Então, ama-o? – confrontou-a.
- Disso tenho a certeza. O que tinha dúvidas era se o nosso futuro era conjunto.
- Já pensou em ser infiel?
– descarado.
- Nunca. Ele basta-me e gosto de pensar que lhe basto a ele. Não creio que ele seja do tipo infiel. Você é? – quis desviar a conversa dela.
- Sou do tipo fiel. Mas ao vê-la, confesso que senti algo que já não sentia há muito. Foi o relembrar de sentimentos escondidos. – já não havia volta atrás na conversa.
- Ai foi? Mas em que momento? É que pode considerar-se traição. – ela estava divertida.
- Confesso que só a vi de costas na piscina e no restaurante. Nessa altura era só um mistério. O William foi descrevendo-a com enormes elogios e fiquei curioso. Quando a vi, fiquei enfeitiçado.
- Enfeitiçado? Uma palavra que não ouvia há muito tempo. Tinha saudades dela.
– o olhar dela ficou embaciado.
- Mas é isso que sinto. Não costumo esconder o que sinto, e tenho uma vontade de estar consigo. De fazer amor, de dormir, de acordar…
- Páre. Não sei como reagir.
– vacilou.
- Diga-me o que sente.
- Vontade de me perder.
– confessou ela.
- Há muito tempo que me sentia apático, mas chegou o momento de voltar e ser eu mesmo. Quer ir para o meu quarto ou para o seu? – fez a pergunta com o coração a mil, receando a reacção.
- Nenhum. – havia um sorriso no olhar
– Emocionaste-me. Vamos para casa, meu bem.
- Meu amor, sinto que te reencontrei.


Levantaram-se e saíram. William sorriu. Já tinha descoberto há muitos anos que seriam casados um com o outro. Segredos de um barman…



37 comentários:

  1. O amor, a cumplicidade, o sentir da ausência de alguém que se ama e que se deseja é algo muito profundo... fiquei maravilhada...

    um beijnho para ti nanny e outro para o Francisco

    :-))

    Just_me

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  2. Ando sem tempo para os blogs mas passei para te deixar um beijinho.

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  3. Mas que conto mais excitante...:)
    Um escritor a sério, o Francisco!
    Beijinhossss

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  4. Por vezes procuramos lá fora o que deixámos há muito de ver cá dentro.. ;D Bj, para ambos.

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  5. Não vale a pena falar da escrita porque, como o francisco já nos habituou, está demais... Uma estória fantástica... O amor tem destas coisas, ás vezes e preciso perdermo-nos para nos encontramos...
    A música... A música...

    bjinhos nanny
    Aquele abraço francisco

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  6. Nanny querida!!!

    Sabes que já sou tua fã, certo?
    Posso ser fã do Francisco???

    Bolas!!! Amei!!! Demais..mesmo!

    Mil beijos querida, aos dois
    Cleo

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  7. Um texto (em duas partes) muito bem construido. Uma escrita segura e fluente. Um enredo bem engendrado, com um suspense conseguido.

    E vou "cuscar" o blog do autor à procura de boa escrita.

    Beijinhos gata

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  8. Antes que a nanny me acuse de não vir aqui receber as críticas, apresento-me...:D Muito obrigado a todos pelas belas palavras. Andava numa fase pouco inspirada, mas a
    Nanny espicaçou-me a escrita...
    Fico contente que tenham gostado..

    Beijos e abraços a todos e um beijo especial para a gata...:D

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  9. Mais uma vez fantástico!
    Parabéns ao autor!!!

    Nanny...venha o próximo!

    Uma beijoka
    J.C.

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  10. Quanto mais te leio, mais vontade tenho de o fazer...


    Doce beijo

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  11. Ai ai menino Francisco....
    Laurita está muito agradada com este conto.
    Beijos

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  12. Lindo... Talvez o melhor que li neste Verão.

    Um beijo aos dois e um sorriso para cada um.

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  13. Just me e Alfabeta

    :-)

    Beijinhos para vós também

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  14. Lb

    O Francisco terminou por aqui... outros virão... e tu?

    ;-)

    Beijinho

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  15. Just a girl

    Bem certo :-)

    Obrigada pela visita

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  16. Gomez

    O Francisco tem uma escrita fantástica, ainda bem que aceitou este desafio!

    Beijinho, Gomez

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  17. Cleó

    As casinhas do Francisco são fantásticas... acho que deves ficar fã!

    :D

    Beijinhos

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  18. (espicaçando para escreveres mais)

    Francisco

    Toca a soltar essas palavras :D

    Beijinhos e festinhas da gata

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  19. J.C.

    :-)

    Virá sim! É uma questão de esperar...

    Beijinhos

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  20. Profeta

    Esta escrita não é minha, presumo que o comentário seja para o Francisco :D

    Beijinho

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  21. Vertigo

    Bom fim de semana, linda *

    Beijinhos

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  22. A escrita do Francisco é interessante e reveladora do que se faz muito na literatura e depois na vida real, para ficar bem, complicar.

    Tanta conversa gasta, para uma coisa simples, ir para a cama, a maior aspiração diária de 90 % da humanidade.

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  23. Eh lecas, até a barraca abana!!! Foda-se, até me arrepiei a dizer isto. Senti-me uma beca xabreguento! Beijos grandes ***

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  24. Por todo lado por onde passo só leio histórias de amor.

    Mas esta é linda. Tomara que fosse tão fácil recomeçar.

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  25. Pedro Silva

    O Francisco escreve realmente bem... não sei se tem tanta sorte na vida real... mas o melhor seria perguntares-lhe a ele :D

    Obrigada pela visita

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  26. Zorze

    Grande alienado!!!

    Xabreguento?! LOL
    (não conhecia o termo)

    Beijo grande

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  27. Maria Faia

    Esta era um conto escrito pelo Francisco del Mundo... resultou de um desafio diferente...

    Obrigada pela visita

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  28. Ahahahah, vim só aqui dizer que tenho a sorte e o azar normais na vida...:D Mas uma coisa eu sei, se alguma dor é doce, é com certeza a dor de amar...
    Beijo

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  29. Francisco

    Acredito... também já senti dores dessas...

    Beijinhos

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